SUS cria portaria para parto humanizado
Luana Almeida
A fim de estabelecer maior vínculo entre mãe e bebê, o Ministério da Saúde (MS) oficializou, na última terça-feira, portaria que recomenda a adoção de medidas próprias do parto humanizado. A indicação é para casos naturais para as cesarianas, em todas as unidades que prestam atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Conforme o documento, o bebê saudável, com o ritmo respiratório normal, deve ser colocado sobre o abdômen ou tórax da mãe, em contato direto pele a pele, em ambiente aquecido. Além disso, a nova regra prevê também amamentação ainda na primeira hora de vida da criança.
Saiba mais
As medidas oficializam recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do próprio MS e preveem, ainda, que o cordão umbilical seja cortado somente quando parar de pulsar.
Para os recém-nascidos com respiração ausente, irregular ou que tenham peso diminuído, a portaria estabelece que o atendimento deverá seguir o fluxograma do programa de reanimação da Sociedade Brasileira de Pediatria, de 2011.
Em nota, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que as novas normas contribuem para a redução da mortalidade neonatal.
"Nós precisamos estimular que essa primeira mamada aconteça na primeira hora de vida. Além de fornecer o primeiro aporte calórico para a vida do bebê, essa prática também acelera a descida do leite materno, aumentando a chance de sucesso no aleitamento e diminui a ocorrência de hemorragia uterina", explicou o ministro, em nota.
Abrangência
Na Bahia, conforme a coordenadora do setor de Cuidado por Ciclo de Vida e Gênero da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), o parto humanizado já é uma realidade em sete maternidades públicas.
"Estamos realizando um mapeamento de todas as maternidades do estado. Após isso, vamos obter relatórios e, a partir daí, institucionalizar as medidas nos locais onde o parto humanizado ainda não é feito. Em Salvador, por exemplo, já oferecemos esse serviço em sete unidades de saúde (ver quadro ao lado)", afirmou.
A intenção, de acordo com a coordenadora, é que, até o final do primeiro semestre deste ano, os procedimentos do parto humanizado sejam feitos em todas as maternidades do estado.
Embora esse tipo de nascimento ainda não contemple todas as unidades de saúde da Bahia, a oficialização da portaria foi comemorada por ginecologistas, obstetras e especialistas da área.
"Priorizar a primeira hora pós-parto é de fundamental importância para a saúde física e psicológica do bebê e da mãe. Por isso, a portaria representa uma vitória", afirmou Camila Rabello, obstetra especializada em partos naturais.
Segundo a médica, o incentivo à amamentação é um dos principais benefícios proporcionados à mãe e ao seu filho que tiveram contato imediatamente após o parto, conforme a portaria do MS.
"Prolongar o período de aleitamento materno é essencial para melhorar a questão nutricional da criança. Ao estabelecer o leite materno como alimento exclusivo durante seis meses, os riscos de infecção, diabetes, morte súbita, dentre outras doenças, são reduzidos", afirmou.
*UOL
*GabyGuaranyKaiowa


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