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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

terça-feira, outubro 14, 2014

"The New York Times" pede que Obama acabe com o "embargo" a Cuba

Do Brasil de Fato
Editorial do jornal diz que seria sensato Obama refletir seriamente sobre Cuba: “Obama deve aproveitar a oportunidade para dar fim a uma longa era de inimizade e ajudar um povo que sofreu enormemente”

O jornal estadunidense "The York Times" pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que "reflita seriamente" sobre Cuba para "retomar relações diplomáticas" com esse país e "acabar com um embargo insensato". O texto foi publicado no editorial do veículo neste sábado (11).

"Seria sensato que o líder estadunidense reflita seriamente sobre Cuba, onde uma reviravolta política poderá representar um grande triunfo para seu governo”, diz trecho do editorial. Estados Unidos e Cuba romperam suas relações diplomáticas em 1961 e Washington começou a aplicar o embargo econômico contra a ilha um ano depois, em 1962.

"Obama deve aproveitar a oportunidade para dar fim a uma longa era de inimizade e ajudar um povo (o cubano) que sofreu enormemente", afirma o editorial.

A publicação ainda define suas sugestões de atuação à administração Obama, apontando que a Casa Branca deve retirar Cuba da lista que mantém o Departamento de Estado para penalizar países que respaldam grupos terroristas.

 “Atualmente, o governo estadunidense reconhece que Havana está tendo um papel construtivo no processo de paz da Colômbia, servindo de anfitrião para os diálogos entre o governo colombiano e líderes da guerrilha.”

A Casa Branca não confirmou se Obama vai participar no próximo ano da Cúpula das Américas no Panamá, país que já anunciou sua intenção de convidar Cuba para a reunião.

"Tem que fazê-lo. E deveria vê-lo como uma oportunidade para fazer história", concluiu "The New York Times".

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