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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

quinta-feira, abril 02, 2015

Protestos contra Rede Globo reúnem milhares em todo país pelo fim da emissora



Manifestações marcadas nas redes sociais por movimentos e entidades reuniu milhares de pessoas em todo país na frente das sedes da emissora nesta quarta-feira. Novo protesto está marcado para o dia 26

Por Bruno Barbosa - da Mídia Livre

Com cartazes com frases como "Globo Mente" e "Globo Não Me Convence", cerca de 10 mil pessoas se reuniram na porta da sede da emissora em São Paulo, no inicio da noite desta quarta-feira (1), em uma manifestação cheia de reinvindicações que pediam o fim da "manipulação de informações pelo jornalismo da Globo", "a cassação da concessão para estar no ar" e a "democratização das informações".
A enfermeira aposentada Edva Aguilar era uma das manifestantes e falou sobre o objetivo de sair às ruas contra a emissora carioca. "Queremos mostrar publicamente que a Globo sonega impostos, manipula informações, deturpa, que teve um papel fundamental na ditadura militar e agora tenta um novo golpe. Eles não têm ideia de quantas pessoas estão a favor da Dilma. A Globo define a pauta para o Brasil inteiro, a mídia do Brasil é uma das mais corrompidas. Queremos a mídia democrática", disse.
O operador de telemarketing Rodolfo Gouveia Lima, famoso por invadir links ao vivo da emissora, como o caso em que Monalisa Perrone foi empurrada na porta de um hospital em São Paulo em 2011, foi disfarçado com uma peruca para acompanhar a manifestação.
"Tem uma liminar que não deixa eu me aproximar da TV Globo. Estou aqui hoje porque não aguento mais a manipulação da Globo, que está esmigalhando o cérebro dos brasileiros. Corri esse risco por isso", disse, exemplificando o que acha errado. "A política é uma empresa e toda empresa precisa de lucro, a Globo oferece os seus serviços para quem paga mais. Manipulação total".
Um dos líderes da manifestação, o analista de mídias sociais Wellington Nobre disse que não é contra o conteúdo apresentado, mas contra a corrupção.
"Todo veículo de imprensa tem que ser livre ao seu conteúdo, isso não é a questão, mas a Globo está afundada na corrupção e manipulação, os movimentos de esquerda e os evangélicos estão boicotando, o público está cansado. Eles estão atingindo todos os grupos. A Globo leva a maior fatia do dinheiro público e o Governo deveria rever isso. As mídias que pegam o farelo que sobra da Globo têm que se unir. Se não houver união, a Globo vai continuar com a maior parte do dinheiro, do poder, esse monopólio vai continuar e isso é injusto".
A reunião de várias pessoas chamou a atenção de quem passava pela Rua Evandro Carlos de Andrade em pleno horário de pico. A analista de informações Vanessa Rocchi parou para tirar foto ao ver o grupo gritando "Abaixo a Rede Globo".
"Me causou estranheza fazerem uma manifestação contra a Globo em frente à emissora. A gente vive numa democracia e todo mundo pode protestar, mas todos os veículos de mídia acabam favorecendo um ou outro, acabam escondendo informações, mesmo que não assumam algum lado, então é interessante esse tipo de protesto".
A professora Silvia, que passava de carro pelo local, disse que não sairia às ruas contra a emissora carioca. "Respeito a opinião de cada um, mas eu acho a Globo uma grande emissora. A emissora fala a verdade, por exemplo, a nova novela – "Babilônia – só mostra a nossa nova realidade".
O ato também aconteceu em frente à sede da emissora no Rio de Janeiro. Outra manifestação já está marcada para o dia 26 de abril, quando a Globo comemora 50 anos.


Confira o artigo original no Portal Metrópole: http://www.portalmetropole.com/2015/04/protestos-contra-rede-globo-reunem.html#ixzz3WAJHfemo

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