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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, junho 17, 2011

Partido de Kassab é acusado de filiar mortos



Notícia divulgada na imprensa paulista nesta quinta-feira (9) aponta irregularidades envolvendo a criação do novo partido do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, o PSD (Partido Social Democrata). As denúncias serão protocoladas no Ministério Público Estado nesta quinta-feira (16) pelo DEM e pelo PTB. O motivo para a representação são as irregularidades no recolhimento de assinaturas para a criação do PSD. Duas denúncias constam na representação, uma envolvendo a coleta de nomes de eleitores que já faleceram em Santa Catarina e outra que alega o uso da máquina da Prefeitura para promover o abaixo-assinado. Para fundar um partido, são necessárias 500 mil assinaturas de apoiadores em 9 estados.
Funcionários da Prefeitura teriam sido flagrados coletando assinaturas. Haveria também um e-mail de uma funcionária pedindo que amigos assinassem as listas de registro. Na mensagem, a assessora dizia que recebera a “missão” de Kassab para que os “pobres mortais dependentes de cargos comissionados” coletassem assinaturas.
Conforme o secretário-geral do PTB nacional, deputado estadual Campos Machado (SP), o pedido revela fortes indícios de uso indevido de servidores e da máquina pública em favor de partido político, abuso de autoridade e abuso do poder econômico. O presidente nacional do DEM, José Agripino (RN), também se manifestou. “Na hora em há que uso da máquina pública, com instrumentos não permitidos pela lei, coloca-se em xeque o registro de todos os partidos”, declarou.


Coleta de assinaturas em outros estados brasileiros deverá ser investigada pelo Ministério Público Federal


Com relação à coleta de assinatura de eleitores falecidos em Santa Catarina, uma investigação já está em andamento desde que um chefe de cartório encontrou a irregularidade no registro da legenda. A pedido da juíza Maria Luíza Fabris, o Cartório da 49.ª Zona Eleitoral fez um pente-fino numa lista de 230 assinaturas de três cidades para a criação do PSD. Do total, 140 delas não tiveram a veracidade confirmada. A cidade de São Lourenço do Oeste apresentou a pior situação, apenas 7 dos 130 eleitores foram certificados. Além de quatro pessoas que já faleceram, os técnicos descobriram pessoas que assinaram duas vezes.

Segundo o relatório, as “flagrantes irregularidades” encontradas indicam, em tese, “crime de falsidade ideológica eleitoral”. A Procuradoria Regional Eleitoral de Santa Catarina analisa abertura de inquérito. A Justiça Eleitoral também pediu à Polícia Federal que abrisse inquérito para apurar os indícios de fraude.


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