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Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Fernando Evangelista

sexta-feira, junho 17, 2011

Preocupada, China diz que está disposta a ajudar a Europa

Além de ter parte das reservas em euro, China depende do bloco europeu para manter suas exportações
Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo
GENEBRA -  Em meio ao caos político e econômico na Europa, a China anuncia que está disposta a ajudar o continente a superar sua crise da dívida. Na próxima semana, o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, fará uma turnê pela Europa e o mero anúncio de sua viagem já repercutiu de forma positiva nas bolsas, aliviando em parte a tensão da crise na Grécia diante dos rumores de que Pequim possa incrementar a compra de papéis da dívida da UE.
Na Europa, governos já abandonaram a diplomacia e passaram a fazer pedidos escancarados para que Pequim compre parte de suas dívidas. A China insiste que já comprou "bilhões de euros em dívida europeia".

O interesse por estabilizar a situação da Europa não é apenas dos governos do continente. A China tem hoje como maior destino de suas exportações justamente a Europa e quer uma garantia de expansão da economia da UE para manter suas vendas. Além disso, parte de suas reservas de US$ 3 trilhões estão em euros e uma queda da moeda europeia também significaria uma perda da reserva chinesa.
No início do ano, Wen esteve já na França, Portugal e Espanha, indicando que Pequim estava comprometida a "fazer sua parte" para ajudar os governos europeus a superar sua crise da dívida. Agora, visitará a Alemanha e o Reino Unido, além da Hungria, que preside a UE.
Em todas as etapas de sua viagem, Wen estará confrontado pelo interesse dos europeus de que parte da dívida soberana dos países em dificuldade seja adquirida pelos fundos chineses, que se acumulam nos cofres do estado.
Em resposta à situação na Grécia, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hong Lei, confirmou o interesse de Pequim em achar uma solução. " Esperamos que a Grécia, a UE e a comunidade internacional possam cooperar para atingir uma estabilidade ", disse. " Estamos confiantes de que zona do euro voltará a ter um crescimento sustentável ", disse.
*luisnassif

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